MÃE DIVINA
Por Cida De Stefano
A Deusa e o Cosmos
A Grande Deusa-Mãe tem sido venerada por todos os povos em todos os tempos. Apesar de seus diversos atributos, títulos e poderes, todas as divindades femininas emanam de uma única fonte: do princípio de Vida do Universo. Essa realidade suprema é chamada “A Deusa” e sua qualidade essencial é conter tudo, estar em tudo.
Nos relatos a respeito da origem do mundo, fala-se da Criação emergindo de um caos preexistente, ou de um espaço sombrio, sem limites nem forma, designado às vezes pelo nome de “águas primordiais” e que se supõe conter a totalidade das potencialidades. Dessa totalidade caótica nascem entidades distintas que o espírito humano classifica como boas ou más. Assim, a mitologia criou a imagem de boas mães, como Sofia e a Virgem Maria, mas também criou as que são consideradas más, como as Górgonas com cabelos de serpentes cujo olhar petrifica, como Sekmet (Egito), sedenta de sangue, e outras figuras ambivalentes como Hera e Afrodite (Grécia), Kâlî (Índia), Hine-nui-te-po (Oceania) e muitas outras. Essa tendência da Deusa de representar os complementares contrários – o mundo ctoniano e o celeste – caos e ordem, obscuridade e luz, esterilidade e fecundidade, destruição e criação, etc. – é habitualmente simbolizada por imagens circulares que lembram o Oroboros, a serpente que engole a própria cauda. A imagem da lua que, durante o mês lunar, passa de uma fina claridade crescente à plenitude, da obscuridade à claridade e vice-versa, é também um símbolo universal da Deusa.






